Governança de Processos Terceirizados: BPO, KPO e a Mitigação de Riscos com o axonT
Introdução
“Preciso trocar meu fornecedor de BPO. Ele diz que o processo é dele. E agora?”
A terceirização de processos tornou‑se uma estratégia recorrente para empresas que buscam eficiência operacional e/ou redução de custos e acesso a competências especializadas. Modelos como BPO (Business Process Outsourcing) e KPO (Knowledge Process Outsourcing) estão amplamente disseminados em áreas críticas do negócio.
Entretanto, à medida que a terceirização amadurece, surgem riscos menos evidentes — especialmente quando a governança dos processos terceirizados não evolui no mesmo ritmo da operação.
Um dos cenários mais críticos, e infelizmente frequentes, ocorre quando a empresa decide trocar seu fornecedor e se depara com a seguinte situação:
“Precisamos mudar nosso fornecedor de serviços BPO. Durante a transição, o fornecedor atual afirma que o processo é dele, que a modelagem é proprietária e que não pode simplesmente ser transferida. O negócio corre risco. E agora?”
Essa situação não é apenas contratual ou operacional. Ela revela fragilidades estruturais de governança, que podem comprometer a continuidade do negócio, a conformidade regulatória e a capacidade decisória da alta administração.
Para compreender corretamente o problema — e suas soluções — é fundamental alinhar conceitos, responsabilidades e mecanismos de controle.
Conceitos fundamentais
BPO – Business Process Outsourcing
Terceirização de processos operacionais e transacionais, geralmente padronizados, baseados em regras claras e orientados à eficiência e escala (ex.: folha de pagamento, contas a pagar, backoffice financeiro).
Principais características
- Foco em execução
- Atividades rotineiras e repetitivas
- Forte padronização e procedimentos
- Menor necessidade de julgamento crítico
Objetivo principal: redução de custos e/ou eficiência operacional
Exemplos de BPO
- Folha de pagamento
- Contas a pagar e a receber
- Atendimento ao cliente (call center)
- Processamento de notas fiscais
- Rotinas administrativas e financeiras
- Backoffice de RH
Pergunta-chave do BPO:
“Quem pode executar este processo de forma mais eficiente e econômica?”
KPO – Knowledge Process Outsourcing
Terceirização de processos intensivos em conhecimento, que exigem análise, interpretação, julgamento técnico e apoio à decisão (ex.: análises financeiras, estudos de risco, inteligência de mercado).
Principais características
- Foco em análise e inteligência
- Alto nível de conhecimento técnico ou científico
- Exige profissionais qualificados (analistas, engenheiros, advogados, médicos, economistas)
- Menos padronização, mais inteligência
Objetivo principal: geração de valor e apoio à decisão estratégica
Exemplos de KPO
- Análise financeira e valuation
- Estudos de mercado e inteligência competitiva
- Pesquisa, desenvolvimento e Inovação (PD&I)
- Análises jurídicas e due diligence
- Modelagem de dados e analytics avançado
- Estudos de risco e compliance
Pergunta-chave do KPO:
“Quem tem o conhecimento e a capacidade analítica para produzir melhores decisões?”
Comparação direta
ASPECTO | BPO | KPO |
Natureza do trabalho | Operacional | Intelectual / Analítico |
Complexidade | Baixa a média | Alta |
Padronização | Alta | Baixa |
Tomada de decisão | Limitada | Essencial |
Qualificação exigida | Média | Alta / Especializada |
Objetivo principal | Eficiência e/ou custo | Valor estratégico |
Risco estratégico | Baixo | Alto |
Em ambos os casos, terceiriza‑se a execução — não a responsabilidade.
Dono do Processo (Process Owner): É a empresa que terceiriza, representada por seus dirigentes e pela estrutura de governança.
- Define os objetivos do processo
- Estabelece regras de negócio
- Aprova a modelagem e suas alterações
- Define SLAs e indicadores
- Assume responsabilidade legal, regulatória e estratégica
Esse papel é indelegável.
Prestador de Serviço (Service Provider): É a empresa contratada para executar o processo conforme regras, SLAs e controles definidos pelo cliente.
- Opera o processo
- Produz relatórios e evidências
- Cumpre níveis de serviço
- Pode sugerir melhorias
O Prestador de Serviço não é dono do processo.
O equívoco central da terceirização
Um erro recorrente ocorre quando a empresa contratante transfere ao fornecedor não apenas a execução, mas também:
- A modelagem do processo
- A documentação
- O conhecimento operacional crítico
- A definição prática dos controles
O cliente diz: “Faça do jeito que vocês sabem.”
- Nesse caso o fornecedor: Modela o processo; Cria fluxos, procedimentos e controles
- E o cliente: Aceita e opera sem dominar o conhecimento
- Erro clássico de governança: O cliente delegou a modelagem sem manter a propriedade.
Cria‑se, assim, uma zona cinzenta de governança, na qual o fornecedor passa a parecer — ainda que indevidamente — o dono do processo.
Esse problema se manifesta com força quando:
- O fornecedor é substituído
- O contrato é encerrado
- O processo precisa ser internalizado
- Uma auditoria exige evidências claras
Surge então a pergunta crítica:
“Se o processo é meu, por que não consigo explicá‑lo, medi‑lo ou transferi‑lo?”
Responsabilidade indelegável do processo
Independentemente de BPO ou KPO:
- A responsabilidade pelo processo permanece com a empresa terceirizadora
- Os riscos operacionais, legais e reputacionais não são transferidos
- O fornecedor executa em nome da empresa, não em lugar dela
Terceirizar processos não é terceirizar governança.
Riscos típicos na terceirização de processos
RISCO | DESCRIÇÃO |
Perda de controle do processo | Falta de definição clara de propriedade e governança |
SLAs mal definidos | Métricas vagas ou inexistentes |
Baixa transparência | Falta de rastreabilidade das execuções |
Dependência do fornecedor | Dificuldade de troca ou transição |
Fragilidade em auditorias | Ausência de evidências e histórico |
A Matriz RASCI como instrumento de governança
A matriz RASCI define papéis e responsabilidades claras, evitando ambiguidades que geram riscos.
ATIVIDADE | RESPONSÁVEL (Realiza o trabalho) | AUTORIDADE (Responsável pela tomada de decisões e propriedade) | SUPORTE (ajudam na realização do trabalho) | CONSULTADO (Opiniões são solicitadas) | INFORMADO (Precisam ser mantidas atualizadas) |
Modelagem do processo | Cliente | Direção | Fornecedor | Especialistas | Operações |
Definição de SLAs | Cliente | Direção | Fornecedor | Compliance | Stakeholders |
Execução do processo | Fornecedor | Cliente | TI | Auditoria | Gestão |
Monitoramento de KPIs | Fornecedor | Cliente | TI | Auditoria | Comitê |
Transição de fornecedor | Cliente | Direção | Fornecedores | Jurídico | Alta Gestão |
Como o axonT contribui para a governança e mitigação de riscos
O axonT atua como uma plataforma de orquestração, automação e monitoramento de processos, apoiando diretamente a governança de serviços terceirizados.
Principais contribuições
Clareza e rastreabilidade – Modelagem explícita de fluxos, responsáveis, prazos e regras, criando histórico auditável.
Definição e controle de SLAs – Configuração de indicadores, prazos e alertas automáticos, com acompanhamento em tempo real.
Automação com controle – Redução de erros manuais, padronização da execução e previsibilidade operacional.
Visibilidade executiva – Painéis e relatórios que permitem acompanhamento estratégico pela alta administração.
Facilidade de transição – Processos documentados e independentes do fornecedor, reduzindo risco de risco de dependência excessiva (lock‑in).
Mitigação de riscos com o axonT
RISCO | FUNCIONALIDADE axonT | BENEFÍCIO |
Perda de controle | Modelagem centralizada | Processo permanece com o cliente |
SLAs vagos | Alertas e métricas | Desempenho mensurável |
Baixa transparência | Logs e históricos | Auditoria facilitada |
Dependência do fornecedor | Documentação viva | Transição segura |
Falhas operacionais | Workflows automatizados | Redução de erros |
Conclusão
A terceirização de processos exige governança robusta, especialmente quando envolve atividades críticas ao negócio. A responsabilidade pelo processo permanece com a empresa contratante, e falhas nesse entendimento geram riscos estratégicos relevantes.
O axonT apoia essa governança ao transformar processos terceirizados em estruturas claras, controladas, auditáveis e independentes do fornecedor, permitindo eficiência operacional sem renunciar ao controle, da transparência e da segurança.
Em ambientes complexos, governar bem é tão importante quanto executar bem — e a tecnologia certa é um fator decisivo nesse equilíbrio.





